quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

.Sem sentido

Ela saiu. Só saiu. Apesar de toda a velocidade, não tinha pressa, nem rumo, e nem fome. Mesmo assim, a despeito disso carregou na mão a maçã que ela definitivamente não iria comer. Nem valia a pena, ela iria morrer.
Ela VAI morrer.
Talvez já estava morta. Quem sabe se deu conta disso quando a mulher passando ao seu lado se horrorizou quando a olhou. Seria por ela ter se deitado no chão, na calçada, na rua?
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Então sentiu a sensação de deixar de sentir. O absoluto vazio de frio, calor ou fome. Tocou o chão e não o sentiu, o vento soprou, bagunçou uma mecha do seu cabelo escuro e ela simplesmente não sentiu. Foi exatamente no momento que ela decidiu se levantar. Se percebeu completamente sem peso. Um carro atropelou sua maçã, mas nenhuma das pessoas ao redor ficaram chocadas com isso, e sim com ela.
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Foi então que ela pediu licença e saiu andando. Mas ninguém notou nada além do corpo caido, despedaçado na calçada. Ela o havia esquecido por lá e de qualquer forma não servia mais pra nada.