quarta-feira, 29 de abril de 2009

.A história que eu sempre quis contar - Parte IV

E então eu saí correndo. Não tenho um pingo de vergonha de dizer isso, eu saí correndo pra dentro daquele supermercado não tão grande.
Por um momento me censurei e cheguei a achar que estava louca, quando entrei no local e não vi ninguém com o dito tênis amarelo. Olhei para os lados, tentei avistar, mas nada. Então a primeira idéia inteligente desde a primeira vez que eu o havia isto surgiu na minha cabeça.
O que me motivou a resolver parar de ser fresca e ir logo atrás dele? É aquele velho dito popular tão gasto e clichê de que quem perde descobre que queria mesmo. E eu não iria deixá-lo simplesmente passar mais uma vez.
Peguei uma cestinha e coloquei várias coisas dentro. Nem vi exatamente o que. Fui colocando. E comecei a andar pelos corredores do supermercado, tendo sempre a certeza de que não havia deixado nada passar. Foi então que na pressa aconteceu. Eu virei em um corredor e esbarrei em um carrinho. Coisas caíram da cestinha e a cestinha da minha mão, e eu já estava pronta para sair xingando o filho da puta que deixou o carrinho no meio do corredor quando olho pra cima e instantâneamente perco as palavras.
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Um milênio clichê passou em um exato segundo. E agora? Eu estava pronta para praticamente tudo. Havia feito tantos planos, tantas formas diferentes de dicas pro destino da maneira como poderíamos nos encontrar. Havia traçado rotas, escolhido palavras, eu estava realmente preparada para ser engraçada e falar algo que quebrasse o gelo, mas todas as formas que estavam dentro da minha mente desconheciam um pormenor importante: O destino é um vagabundo idiota que vai sempre te surpreender.
Eu estava despreparada para algo tão simples como um encontro no supermercado. Então juntei as coisas na cestinha sem tirar meus olhos dos dele, levantei e saí. Querendo me matar por dentro.
Três ou quatro passos depois, virei para trás. Ele ainda estava lá. E ainda me olhava.
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Virei a esquina do corredor, larguei a cestinha e saí. Saí dali quase correndo de volta para fora.
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(Continua)

sábado, 25 de abril de 2009

.Parênteses

Se me imitaSSE, escreveria certo.

Pronto, falei.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A história que eu sempre quis contar - Parte III

Quando eu acordei naquela segunda feira eu me dei conta de que eu provavelmente nunca mais o veria. Foi então que me passou pela cabeça que não era aquela a primeira vez que isso acontecia.
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Uma quarta feira há anos atrás. Eu levantei com o sentimento de que o dia anterior havia sido péssimo, aquela confusão de pensamentos de quando você está acordando e não consegue se lembrar onde está e quem você é. Então eu lembrei e já xinguei mentalmente toda a minha timidez idiota. Eu nunca mais o veria? Sai de casa e comecei uma das buscas mais estúpidas da minha vida. Eu andei sem rumo naquela cidade com mais de 300 mil pessoas procurando apenas uma. Aquele um que eu não sabia nem como se chamava. Alô, inteligência?
Provavelmente algumas semanas se passaram e então eu desisti, não sem tristeza, de procurar por ele. Mal sabia eu que eu não precisaria mais procurar, pois ele viria até mim.
Até hoje eu me pego pensando nisso, nessa história e no seu começo. Quando eu conto pra alguém, invariavelmente eu ouço algo sobre ser uma história linda e que o destino é tão bonito e mimimi. Mas puta destino bobo, se é que ele existe, que quis escrever uma história linda e parou na metade.
Mais de um mês após aqueles dias de vestibular minha história toda se revirou. Depois de uma série de pequenos eventos acidentais numa tarde de segunda feira, me vi parada em frente a um mercado, sabe-se lá por que. Mas eu estava lá, exatamente a tempo de ver entrar apressado um par de tênis amarelo.
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Deja vu.
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Minha cabeça num misto de lembranças coloridas, em movimento e embaçadas entrou em uma busca involuntária pra achar um motivo por que meu coração se acelerou tanto ao ver aquela cena.
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(Continua)

sábado, 4 de abril de 2009

.A história que eu sempre quis contar - Parte II

O que caracteriza um grande amor?
Pra uns, é o tempo. Pra outros, a forma com que se conheceram. Pra outros ainda, um grande amor só é bem grande se for triste. Palavras de um poeta. Mas e no mundo real, pra gente, o que faz um amor não ser pequeno? Será que ser "pra sempre" é a unica maneira de fazer aquele sentimento tomar proporções significativas?
Eu nunca tinha me perguntado isso até pegar aquele ônibus de volta pra minha cidade, deixando na rodoviária a ultima chance de que ele fosse meu eterno amor. Mas qual era a moral daquela história, por que tinha tudo, tudo pra que fosse ele.
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Aquele domingo de manhã no começo de 2006. Eu entrei de cabeça baixa e logo encontrei um lugar pra sentar em um degrau de escada. Eu teria saido de cabeça baixa e nunca escreveria nada sobre aquela prova de vestibular, mas alguém ali mudou meu destino, seja isso bom ou não. Ele estava parado e me olhava, podia ser isso mesmo? Quem era ele? E por que, por que eu tinha a nítida impressão de que nós já estávamos conectados há tempos?
Com tudo o que se passou durante aquele momento, uma coisa eu nunca vou esquecer. Seus dois olhos cor de mel me olharam fixamente, arrancaram de mim a minha privacidade, me expuseram, me reviraram. Hoje eu lembro que ele nunca me pediu permissão pra se intrometer assim na minha vida.
Os três dias de vestibular passaram, e eu não soube seu nome, não soube nada a seu respeito. Nós fomos presos por aquele silêncio ridículo, já que não existia nada pra se dizer mais coerente do que retomar uma conversa antiga que nós nunca havíamos tido.
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Foi a primeira vez que nós nos deixamos separar sem fazer força pra impedir.
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