terça-feira, 30 de junho de 2009

.A história que eu sempre quis contar - Parte final

[1]

Acho que foi tolice minha. Ou tua, ou quem sabe de nós dois. Era certo demais pra mim que aquele encontro no supermercado fosse uma prenuncia, um prólogo de algo maior. Como um livro, afinal minha busca por ti havia sido grande, e eu erroneamente interpretei aquilo como um sinal. Sinal do que? Não sei.

E durante algum tempo foi belo. Sim, se não o fosse eu jamais estaria te escrevendo essas linhas. Nossas vontades estavam muito próximas, sempre. Descobríamos aos poucos, e sem querer, tantas semelhanças. É, talvez meu erro seja lembrar. Lembrar de cada coincidência, nossa formação religiosa quando jovens, conhecidos em comum, tantos gostos e vontades iguais... Quantas vezes me fez lembrar detalhes daquela historia bonita de quando nos conhecemos no vestibular... Tantas conversas, afetos estampados nas palavras, vontades quase incontidas de ter asas e voarmos pra perto um do outro, juntinhos num edredom velho, pra assistirmos aquele maldito DVD do Nando Reis. É possível, quem sabe provável, que você não lembre dessas coisas, mas me permita pecar pela memória algumas vezes mais. Prometo que serão as ultimas.

Pois lembro claramente da noite que eu, por desespero da fome, te fiz prometer que cozinharia pra mim, te contratei em troca de carinhos e afetos. Tu me prometeu, naquela noite fria, que me acordaria logo cedo com panquecas e geléia de morango. E suco de laranja recém espremido, eu lembro. Ah, naquela manhã quase pude sentir o cheiro suave que saía da minha imaginação e vontade... Sim, eu me lembro. Lembro de quase tudo que tu já deve ter esquecido. A primeira vez que ouvi tua voz, cada madrugada que conversávamos, que "perdemos" em claro, cada vez que tu dizia uma queridice qualquer... É, tantas queridices. Pena que o verão que te trouxe, te levou embora. Estava nossa relação tão baseada no virtual que não pode viver no mundo real? Bom, no final tu virou um livro lindo que vou escrever sozinha. Sim, sozinha. As palavras e a historia. Um livro que vivi sozinha. De ilusão e uma magia que só existia pra mim.

Se o final é triste não sei dizer ao certo, mas é certo que é o final. E como todo final, traz consigo saudade, dor e lágrimas. Trás junto a nostalgia dos dias em que essa ilusão funcionava e me fazia feliz. Hoje a magia não funciona mais, não preenche mais a historia linda que eu queria viver. Eu estava te esperando aqui, nesse sofá o dia todo e se, mesmo tarde, tu tivesse vindo, eu teria mais uma vez acreditado que vivíamos esse conto juntos, mas tua ausência nesse lugar cheio de gente me deixa apenas uma pergunta, ao final de tudo... Será que alguma vez isso teve alguma espécie de começo pra ti, assim como o teve pra mim?









[1] Eu escrevi essa carta uma meia hora antes de resolver me levantar e ir embora daquela livraria cheia de pessoas passando que não faziam idéia do que acontecia. Eu escrevi tudo isso - Clichê alert! - no calor do momento, mas nada disso se tornou menos verdade hoje. Sim sim, pra quem até agora não entendeu, tudo isso ali nesses posts é verdade. As fotos, inclusive. Não deu certo, e eu entendo que não tenha dado, eu respeito muito ele. (Um dos motivos por ter recortado a foto em que ele aparece. O sorriso basta.) Mas é injusto, até hoje, ter acabado assim. Se fosse pra ter fim, merecia um final decente... Mas vai entender, né. Eu passei por cima disso, e hoje tudo que eu sinto sobre o assunto é que foi um puta desperdício de enredo do destino...
.
.
.
.
.
FIM

domingo, 28 de junho de 2009

.A história que eu sempre quis contar - Parte VII

Decidi dormir um pouco, pra passar o tempo. Nenhum rosto conhecido, cidade empoeirada, e eu lá, com uma mochila pesada nas costas cheia de coisas que eu achava que iria usar.
Esperar. Eu nunca gostei disso. Esperar um ano inteiro para ter que esperar mais tempo, parecia que jamais chegaria. Deitei minha cabeça na mochila e tentei dormir.
.
Fui acordada por uma pessoa que eu conhecia tão bem, e tão pouco. Nos estranhamos, aquele estranhamento gostoso. "Oi, é você?" Que pergunta sem razão, era ele ali. Alto, mais do que eu lembrava, olhos intensos e o sorriso que eu tantas vezes li na tela do meu computador. E estávamos nós dois, sem ela.
.
Pra definir aquele final de semana eu posso usar apenas uma palavra: Surreal. Cachoeiras, montanhas, medos, perigos, delícias, descobertas, e tanta risada e vontade de a gente não deixar o tempo ir assim. Enquanto a água corria nos tantos rios que passamos, a conversa, a cumplicidade. Éramos nós ali, surreal, não é?
..

.

.

Eu sinceramente preferia acabar por aqui. Perfeito até quando eu subi no ônibus, vestindo o moleton amarelo emprestado e dei tchau, mandei um beijo através do vidro fechado. Mas a vida, ah, a vida...
.
.
.
.
.
(Continua...)