Essa semana eu comprei um livro que há muito eu estava ensaiando ler, Coisas Frágeis, do Neil Gaiman. Dai que o ex é um dos maiores fãs do Gaiman e é, ao mesmo tempo, uma das pessoas com melhor gosto literário do mundo (vide post sobre o meu TCC), o que faz desse escritor leitura obrigatória. Então eu comecei a ler o livro (que é um livro de contos e crônicas e pequenas histórias) pelo conto Golias, que é um dos últimos (não sou dessas que fazem as coisas na ordem =/) e eu preciso dizer que eu estava terminando de ler enquanto comia um cupcake na Cupcake Company e uma lagriminha rolou.
A verdade é que eu me dei conta de uma coisa que realmente me deixou triste. Triste de ver que eu fui uma idiota, de ver que eu sou, na maior parte do tempo, uma idiota.
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Um dia eu fui na casa dele e, eu não lembro exatamente como o assunto foi iniciado, mas ele me disse algo em que ele acreditava e eu ri. Eu ri e perguntei se era uma brincadeira. E eu fiz piada disso, e eu fui a maior idiota do universo, por que não era uma brincadeira, não era piada, nunca foi. Eu não deveria ter dado risada. Eu não precisava acreditar naquilo, bastava não ser uma escrota. Golias é um dos melhores contos que eu já li, em muitos sentidos. São tantas referências, é tão bem escrito, a história, os sentidos, tudo. Mas uma frase no meio daquele monte de palavras me fez pensar e me fez triste.
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Acho que chegou uma hora em que a gente se perdeu, por tentar não machucar um ao outro, ficamos parados na superfície, abraçando, beijando, mas evitando o atrito, tentando não se machucar, tentando não machucar. E isso é tão triste, por que a gente deveria ficar junto e se apoiar e ser melhores amigos, no matter what, a gente devia poder compartilhar as coisas, mas eu ri e eu não deveria ter dado risada, e deveria ter sido melhor.
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Eu comecei a ler How To Talk To Girls At Parties (o livro em inglês foi umas 3 vezes mais barato do que seria em português) e eu gostei mesmo do Gaiman, mas o título desse conto me deixa triste, me faz lembrar do melhor outubro da minha vida.
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A verdade é que eu deveria ter sido uma pessoa menos chata, por que eu não consigo parar de sentir saudade.
2 Comentários:
Não tem problema a gente ser uma pessoa cheia de defeitos e vícios. Não tem problema a gente ser míope, e a gente machucar os outros. Não tem problema, mesmo.
O problema é fazer qualquer uma dessas coisas e não aprender com isso. E repetir o mesmo erro.
O problema de verdade está em ver que a gente é humano (e, portanto, bem inclinado a faltas), mas a gente deixar isso tomar conta da gente. Porque ser humano é pisar na bola, mas também é continuar. E aprender. E se adaptar.
E carregar cada um desses erros malditos dentro do peito até o fim da vida. Porque só assim a gente não faz eles de novo.
Eu adoro o Neil Gaiman. Acho que a gente se identifica com autores na medida que eles conseguem colocar em palavras algo que a gente sente, imagina, espera, etc e não sabe como se expressar. "Fragile Things" é ótimo, tem uns contos e poemas fantásticos...Tem aquele conto sobre a invenção de Alladin ( "we save our lives in such unlikely ways"), tem aquele poema com as instruções sobre como se comportar num conto de fadas, mas meu favorito mesmo mesmo é "The Day The Saucers Landed" ( Tem uma representação dele ali, com ilustrações bacaninhas: http://infinitecanvas.jgate.de/view?name=The%20Day%20the%20Saucers%20Came ) A primeira vez que eu li, foi como um soco na boca do estômago: eu não era o narrador, eu era a pessoa trancada no quarto esperando por sei lá o que, enquanto ao redor dela o fim do mundo se desenrolava com direito a todos os efeitos especiais do universo. E isso não mudou minha vida, mas me ajudou a colocar as coisas em perspectiva...e claro que eu sempre vou continuar esperando telefonemas que nunca vem, mas as vezes eu me lembro do conto e olho pela janela, só pra ver se os discos já começaram a pousar.
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