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A gente estava lá, passeando pela livraria, como sempre - porque nós éramos desses que não podiam ver uma loja de livros que iam entrando, e se essa loja é quase do tamanho de um shopping, isso é simplesmente o paraíso na terra - então ele pegou 1984 nas mãos e me disse que amava aquele livro. Nossas mãos já estavam cheias, mas a capa dessa edição era tão linda, e o tema pareceu tão bom.
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E depois disso, eu li 1984, a gente discutiu muito a respeito, a gente falou muito sobre o que o autor quis dizer, a gente paralelizou isso com Admirável Mundo Novo e até vimos "A Ilha", que eu jurei que era bom e tinha elementos do livro, mas vendo de novo, realmente é muito "Michael Bay" e deve fazer Huxley chorar embaixo da terra. E então construímos juntos o tema do que seria o meu TCC, um paralelo entre esses dois livros. O tema já foi bastante lapidado, a vontade de falar sobre tudo é grande, mas não tenho tempo. Só que o assunto central ainda está aqui, causando todos os tipos de sentimentos em mim.
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Primeiro, eu duvido que outra pessoa entenda o tema e as minhas motivações pra amar isso tanto quanto ele. Desculpem, amigos, quando eu sorrio amarelo quando me perguntam meu tema de TCC, não é tão fácil. Ele está sempre na minha cabeça, mas especialmente agora e falar sobre isso é particularmente dolorido.
Segundo é que poucas coisas fazem sentido se eu não tiver ele pra compartilhar, mas os resultados da minha pesquisa, meus escritos e anotações estão em um nível épico de vontade. É como se esse TCC fosse algo que só seria possível com ele, e na verdade é exatamente isso, já que eu não teria ido a lugar nenhum sem ele.
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Então amigos, entendam, eu não posso forçar meu sorriso o tempo inteiro, enquanto tudo dói aqui dentro, enquanto eu penso nele e quero compartilhar o que está dando certo na minha, o meu TCC, minha pesquisa, os livros maravilhosos que eu tenho lido. Eu escrevo e a vontade que dá é de deixá-lo orgulhoso de mim, ainda essa vontade. Não dá pra não lembrar de tudo, é impossível, é completamente impossível.
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Se eu pudesse escolher eu estaria com ele, de mãos dadas, tanto simbolicamente quanto na realidade também, é claro. Abraçada, sentindo aqueles braços que sempre me diziam que tudo ia ficar bem. Eu queria que ele ficasse orgulhoso de mim, porque eu estou fazendo um bom trabalho e ele também tem todo o mérito por isso.
2 Comentários:
Tava esperando um post pra te dar os parabéns. To bem orgulhoso de você. Não só pelo seu projeto ser muito legal e ter sido aprovado (e possivelmente publicado assim que estiver pronto, é isso mesmo?) mas principalmente porque agora você está fazendo muitas outras coisas além de ficar no twitter, greader e celular.
Bons tempos em que a gente era um time (espero que o profissional capacitado esteja cobrindo bem o meu lugar), bons tempos em que alguém entendia as minhas bizarrices e gostos.
Que bom que eu ajudei um pouco nesse momento tão decisivo da sua vida, mas não se subestime. O trabalho é seu, a idéia foi sua, o esforço é seu, o mérito é todo seu. Eu só dei um empurrão.
Você pode escolher, e fez a escolha a um tempo atrás. E tá tudo bem agora, por mais que você fale que não. Tudo como você quis.
Não queira que os outros sintam orgulho de você, sinta-se orgulhosa por quem você é e faz.
Mas hey, to orgulhoso. Boa sorte.
PS: Quase todos os filmes que você escolhia eram ruins, mas do seu lado qualquer coisa ruim parecia muito massa.
É isso mesmo, sobre o projeto ser publicado. A Patrícia pediu pra eu incluir mais livros de comunicação na bibliografia pra que, quando o trabalho ficar pronto, eu possa publicar sem problemas.
Ah, e vá atrás de "A Cultura da Participação - Clay Shirk". Um dos melhores livros dos 300 milhões que eu estou lendo, sei que você vai gostar.
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