(Esses dias atrás eu estava falando com o @SrNinja e levantamos um desafio: escrever um conto cada um, mas com a mesma temática: e se os personagens desconfiassem que estavam dentro de um conto? A gente deu um prazo de uma semana, que depois foi prorrogado, mas dessa vez cumprimos. Eu gostei do meu e resolvi colocar aqui no blog, hope you all enjoy)
- Ouviu isso?
- Não, não ouvi nada. O que foi dessa vez?
- Não sei.
- Por que você não volta pra cama?
- Alguma coisa está acontecendo.
- Sim, é óbvio que está. Eu quero dormir e você não me deixa.
- Não, Renata, não isso. Outra coisa.
- Ah.
- Você acha que eu sou louco, né?
- Não só eu.
- Ouviu? Dessa vez você ouviu?
- Nadinha.
- Você está surda, mulher. Dessa vez foi bem alto.
- O que você ouviu, João?
- Não fala comigo com essa voz de sarcasmo, Renata, você sabe que isso só me irrita.
- Ah, sim. Isso TE irrita? Você estar acordado às 3h da manhã ouvindo barulhos que vêm da sua cabeça ME irrita.
- Então dorme, ué.
- Não vou dormir.
- Admite, você está curiosa.
- Não estou. Não tem nada ai. Volta pra cama, João.
- Tá...
- O que é que você ouve?
- Sei lá, cada vez é alguma coisa diferente. O som de alguém batendo em um teclado, crianças brincando em um parquinho meio longe, a televisão, às vezes alguma musica. Eu tenho uma teoria, mas não vou te contar, você não acreditaria.
- Conta, ué, o máximo que pode acontecer é eu não acreditar.
- Promete que você não vai entrar em pânico? Se bem que... se eu estiver certo, você provavelmente vai entrar em pânico em algum momento, pelo bem da história.
- Conta logo, seu lunático.
- A gente está dentro de uma história. E é por isso que eu ouço esses barulhos, eles vêm do lado de lá.
- Anda logo, me dá esse seu livro do Gaiman, nada de ler esses troços antes de dormir, você ficou louco.
- Não, Renata! Não tem nada a ver! Esses dias eu estava andando por aqui e de repente tudo começou a voltar e ser apagado, como se alguém estivesse apertando o backspace, eu juro!
- Louco! Você está louco, isso sim. Dentro de uma história? Ah, vá, só se for na sua cabeça fértil!
- Bem que poderia ser, mas ai EU é que estaria escrevendo. E eu te juro, eu não estou escrevendo nada.
- Pois deveria. É muita imaginação nessa sua cabeça de vento. Escreve isso tudo e me deixa dormir, pelo amor de Deus, João. Para com esses pensamentos idiotas.
- Quer uma prova?
- E você pode provar?
- Se a gente está em uma história, provavelmente o escritor já se ligou de que a gente descobriu, e logo vai querer brincar com a gente.
- VOCÊ descobriu. Não me meta nisso, é SUA loucura.
- Eu vou pular da janela. Se eu voar, a gente está em uma história mesmo. O escritor não me mataria, eu sou o personagem principal e você é a mala que não acredita nele. Ele quer te provar que você está errada.
- VOCÊ FICOU LOUCO, JOÃO? PULAR DA JANELA? NEM FODENDO, SEU MALUCO!
- Eu não vou morrer, Renata, não se preocupe.
- Eu vou ligar pro hospital, seu louco, pra eles trazerem uma ambulância pra te levar pra algum lugar e te prenderem lá em uma camisa de força, seu LOUCO!
- Não vai!
- Volta aqui, João, para com essa besteira de pular da janela! São vinte e dois andares, porra! Você vai virar um bolinho de carne lá embaixo, está louco? É isso que você quer?
- Vou provar que eu estou certo, é isso que eu quero.
- SAI DESSA JANELA, JOÃO!
- Até logo, querida.
- NÃÃÃÃÃÃÃO!
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VUPT.
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- Renataaaaa! Olha pra mim! Eu estou voando! Olha pra mim, Renata, eu ganhei asas!
- Joã... Como... O que você... Como?
- Pula, Renata! Aqui a gente pode tudo! Agora é a parte da história em que nós dois voamos juntos, de mãos dadas, vemos o mundo, antes de voltar pro quarto, cair em sono profundo e esquecer de tudo.
- Eu não tenho coragem de pular, João. Eu não confio nisso, nesse seu sistema.
- É só pular, eu estou voando, eu te pego!
- Promete?
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VUPT.
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POFT.
1 Comentários:
Posso dizer?
AMEI esse seu texto!
hahaha
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POFT
auhsuahsuas
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